Maarifti Feek
- Bokuano

- há 13 horas
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Há algum tempo ouvi a coleção “Modern Favorites” da artista libanesa Fairuz que gostei muito das faixas. Mas teve uma que particularmente me chamou a atenção, sendo fã de Jazz, a canção “Aloula” foi o caminho que me levou a conhecer o álbum de 1987 “Maarifti Feek”, que une seu talento para músicas tradicionalmente árabes com a composição mais ocidental.

O projeto faz parte de um período de transição em que a artista desvinculou-se do seu marido e colega de trabalho, Assi Rahbani, após um AVC e do Elias (irmão de Assi) .
Ambos foram responsáveis por escrever diversos sucessos além de popularizarem músicas de 4 ou menos minutos no mundo Árabe, que ainda estava muito acostumado a músicas nos moldes egípcios em torno de 20 minutos de duração. Agora quem assume o lugar de diretor musical da artista foi seu próprio filho, Ziad Rahbani, que trouxe consigo letras mais ousadas e elementos musicais ocidentais distintos.

Mas vamos começar pelo começo, Nouhad Wadie' Haddad ou como popularmente conhecida Fairuz, é uma artista que nasceu em 1935 na cidade de Beirute no Líbano e logo cedo seu talento foi percebido na ainda na escola e o resto é história.
Nos anos 50 começou sua carreira solo e nos anos 60 participou de diversos filmes que ajudaram a alavancar ainda mais sua popularidade.

A guerra civil dos anos 70 restringiu os números de programas de televisão e rádio oficiais e segundo o livro “Music and Media in the Arab World”, o medo de sair à rua tornou esses veículos de mídia um bens essenciais para o entretenimento, o que alavancou diversos artistas para o nível internacional. Num período onde o Egito mostrava-se como um centro cultural importante para região e por consequência tinha o dialeto Árabe popular nas artes, Fairuz que já havia destacado-se por utilizar o dialeto libanês em suas músicas agora servia também como uma plataforma projeção internacional para seu país de origem no qual é muito amada.

“Maarifti Feek” é um álbum de Jazz e Folk e como em outros projetos, Fairuz é bastante romântica e poética, tomando um gole direto do que é a poesia árabe. Ela fala dos seus sentimentos de paixão, dor, nostalgia e retrata seu país de uma forma quase que visual de tão bem que é descrito.
Na primeira faixa “Khaleek Bilbait” que quer dizer algo em torno de “fique em casa” mas num tom conversacional, na música ela implora para que o seu objeto de afeição permaneça em casa porque ela está apaixonando-se e não quer ficar só, também há um possível duplo significado quando ela diz: “الله يْخلّيك “ que pode significar algo como: “Que Deus te proteja” mas um fato engraçado é que durante a pandemia essa música voltou a se popularizar nas redes sociais pelo tema de ficar em casa e essa mesma frase também pode significar algo como “Que Deus te proteja da morte” e ambos os significados fazem sentido. Sendo ela uma poetisa rica em duplos significados não me admirava nem um pouco que a música também falasse de sua cidade nata.

Já a música “Li Beirut”, uma das mais populares do projeto, ela clama por paz na sua cidade natal de Beirute, traçando lindas porém melancólicas descrições de como ela era antes e durante a guerra.
Nas poucas traduções de suas músicas é possível perceber a poética, embora que não na totalidade, e a escolha de que elementos compõem a imagem que ela quer pintar para cada canção.

Gostaria de falar um pouco mais, explorar a relevância dela nos dias atuais, os controversos casos de artistas como Madonna, Kanye West e outros utilizando sua música, mas deixo essas fofocas para vocês, por enquanto fica a recomendação do álbum.
Aproveito desde já para destacar as faixas: “Khaleek Bilbait”, “Maarifti Feek”, “Aloula”, “Maarifti Feek” e “Ma Kedert Neseet”.






