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Análise: Resident Evil Requiem



UM RÉQUIEM PARA OS MORTOS


A Capcom tem tido um streak de sucesso atrás de sucesso, o catalisador acredito ter sido Resident Evil 7, que estreou a RE Engine e não só recuperou a atenção dos fãs de Resident Evil, mas trouxe também novos fãs.

Com sequelas e remakes, fãs da saga estão a ser bem servidos, mesmo com alguns desvios como o remake de Resident Evil 3, e com Requiem consigo dizer que este processo de renovação da franquia que decorre desde RE7 deu frutos de qualidade impressionante.

Grace Ashcroft
Grace Ashcroft

Requiem volta com 2 personagens jogáveis, Grace Ashcroft e Leon Kennedy, mas com uma dinâmica diferente dos jogos anteriores onde o componente multijogador era o foco principal, dividindo secções do jogo entre os dois e dispondo de estilos de gameplay radicalmente diferentes.


Grace é uma agente do FBI e a filha adotiva de uma das protagonistas de Resident Evil Outbreak, Alyssa Ashcroft, encarregue de investigar uma série de mortes dos quais 4 foram confirmados como sobreviventes de Racoon City.

O jogo começa com uma visita a um hotel abandonado há anos, onde Grace viu a mãe ser morta.

Pouco depois deste prólogo inicial, Grace é raptada pelo nosso novo vilão, Victor Gideon, e levada para o Centro de Cuidados Crónicos de Rhodes Hill, controlado por Gideon, onde encontra monstros, infetados, e uma rapariga cega, presa numa cela, chamada Emily.

Leon S. Kennedy
Leon S. Kennedy

Paralelamente, Leon Kennedy, protagonista recorrente da franquia desde Resident Evil 2, investiga as mesmas mortes que Grace, com a suspeita de se tratarem de uma mutação de restos do T-Virus presentes nos sobreviventes de Raccoon City- da qual Leon já começa a mostrar sintomas.

Em busca de Gideon, Leon presencia o rapto de Grace e persegue-o pelas ruas de Wrenwood.


Gideon imediatamente espalha um novo tipo de infecção através de uma arma de dardos e o caos rapidamente espalha-se, numa cena familiar a Resident Evil 6. Desde acidentes de carros a pedestres a fugir, é um nível de caos que não se via em Resident Evil desde esse jogo, com a exceção do remake de RE3 que mostra ainda um pouco do início da epidemia e do caos na cidade.



LEON

Continuando com o Leon, o estilo de gameplay é uma mistura entre o remake de RE4 e RE6, desde o sistema de parry, agora com um machado, aos ataques físicos e finalizações brutais.



O gunplay em ambas as personagens é uma melhoria enorme em comparação com os jogos anteriores, com armas pesadas, satisfatórias e rápidas. Jogar como o Leon é pura satisfação e um equilíbrio excelente entre um terror criado pela dificuldade das situações e inimigos, e as habilidades de herói de acção pelas quais Leon é conhecido hoje em dia.


Como em RE4, Leon consegue fazer craft de itens, principalmente munição e curativos, embora seja dado um foco maior ao “novo” sistema de pontos, no qual Leon ganha créditos por cada inimigo morto.

Esses créditos podem ser gastos em certos pontos de compra, uma loja da BSAA que, como o vendedor em RE4, fornece armas, munição, curativos, acessórios e upgrades às armas. O funcionamento é praticamente idêntico, sendo possível também vender armas e itens em troca de créditos.


GRACE

A Grace segue um estilo muito mais familiar a RE7 e 8 (seja em primeira ou terceira pessoa), com uma limitação muito maior quanto a armas e a recursos em geral. É a representativa do survival horror clássico dos primeiros jogos da franquia e faz um melhor trabalho do que o 7 e 8.

Existe uma opção maior para stealth, que embora não seja obrigatório, é extremamente útil para certas situações e abre mais oportunidades para diferentes abordagens ao combate.



Ela partilha também o sistema de crafting, através do Blood Collector, que, quando adquirido, permite guardar sangue infectado que, em combinação com outros itens, pode ser transformado em munição, curativos ou upgrades- na forma de injeções que aumentam o dano causado a inimigos ou o total de vida. Este sistema é essencial pois munição é escassa, ainda mais do que nos jogos anteriores.



A secção de Grace no hospital anda à volta de encontrar 3 itens para abrir uma porta, sendo possível adquirir esses itens fora de ordem, o que acaba por abrir mais opções de abordagem.

Isto é uma melhoria enorme em comparação com RE7, onde o progresso era extremamente linear e dependente de ter sorte e munição suficiente para matar certos inimigos persistentes, com a curva de dificuldade desse jogo começando no topo e desaparecendo dramaticamente com o tempo.


As dificuldades Classic e Insanity (desbloqueada após completar o jogo) limitam o numero de saves através do uso de Ink Ribbons como nos primeiros jogos da franquia.
As dificuldades Classic e Insanity (desbloqueada após completar o jogo) limitam o numero de saves através do uso de Ink Ribbons como nos primeiros jogos da franquia.

Por falar em dificuldade, Requiem tem uma competência importante para qualquer Resident Evil, a rejogabilidade.

Numa primeira vez, é difícil perceber todas as limitações e vantagens das quais cada personagem dispõe. Parte disso é pela escassez de recursos e outra é mesmo pelo medo.


É um jogo imprevisível e mantém uma boa tensão até ao fim, com as voltas recorrentes sendo progressivamente mais fáceis puramente graças ao conhecimento adquirido na primeira volta.

Isto faz Requiem um jogo satisfatório de platinar e fazer speedrun. Dito isto, sinto que o jogo é por vezes fácil, mesmo na dificuldade mais alta, mas esta sensação pode ser só fruto de ter jogado obsessivamente Resident Evil durante anos.



GRÁFICOS

Requiem marca um salto notável para a RE Engine.

Os jogos anteriores sempre foram bonitos, mas o nível de fotorealismo juntamente do design estético dos locais faz Requiem a clara evolução dos visuais da franquia. De notar também a boa optimização, que é algo que a Capcom tem tomado mais atenção, pelo menos em Resident Evil.


A nova tecnologia de renderização de cabelo é também espetacular e não vejo razão para não manter esta opção ligada, visto que não tem praticamente impacto nenhum no desempenho.
A nova tecnologia de renderização de cabelo é também espetacular e não vejo razão para não manter esta opção ligada, visto que não tem praticamente impacto nenhum no desempenho.

HISTÓRIA

A história tem sido alvo de contenção online pelo que tenho percebido mas, sinceramente, estou satisfeito com o que recebi.

Dizer que Resident Evil é uma franquia com uma lore profunda e importante é… simpático.

É interessante, mas a própria Capcom não sabia o que fazer como cada lançamento, inventando sempre um vírus novo e mais perigoso, com monstros maiores e mais perigosos, e com organizações maiores e mais perigosas. É um cliché que funciona bem o suficiente mas que qualquer fã consegue perceber que a história é toda conectada com fita cola e agrafos.

Dito isto, Requiem vai mais na onda de RE7 e 8 e tenta criar uma narrativa mais séria e profunda, tentando conectar vários pontos soltos de forma a criar quase que um “fim” para a franquia, pelo menos para o lado do Leon.

Para quem jogou os Revelations, Requiem faz o que esses jogos tentaram com a sua narrativa mas de forma muito mais eficiente, de certeza graças ao privilégio de (técnicamente) ser um jogo numerado. Mesmo assim, o ADN de um Revelations 3 ainda está de certeza presente.


SOM

A banda sonora deixa a desejar, funciona bem o suficiente, mas falta aquele toque memorável presente nos restantes jogos.

O design sonoro em si é bom e tem de ser bom já que é um ponto essencial para o gameplay, ter noção da localização dos inimigos é fundamental.

Mesmo assim, sinto que ainda não se compara ao detalhe que tinha em RE7, que usava o som quase como um inimigo em si para assustar o jogador.


Finalizando, adorei Requiem do início ao fim e considero este jogo uma fusão linda dos estilos de gameplay fermentados com os jogos anteriores.

Tenho uma sensação que este jogo foi desenvolvido com a intenção de ser o Revelations 3, com a minha maior crítica sendo a duração relativamente curta, afetada por algumas seções mais monótonas.

Estou ansioso para ver o que a Capcom vai fazer a seguir e acho que agora é uma altura excelente para mais pessoas entrarem na franquia. E para os fãs, este jogo promete e entrega.


HISTÓRIA 8

GAMEPLAY 9

GRÁFICOS 10

SOM 7

NOTA FINAL 8.5

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