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Maarifti Feek

  • Foto do escritor: Bokuano
    Bokuano
  • há 10 horas
  • 3 min de leitura

Há já algum tempo ouvi a coletânea “Modern Favorites” da artista libanesa Fairuz do qual gostei imenso das faixas. Mas teve uma que particularmente chamou-me a atenção, sendo fã de Jazz, a canção “Aloula” foi o caminho que levou-me a conhecer o álbum de 1987 “Maarifti Feek”, que une o seu talento para músicas tradicionalmente árabe com a composição mais ocidental.



 O projeto faz parte de um período de transição em que a artista desvinculou-se do seu marido e colega de trabalho, Assi Rahbani, após um AVC e do  Elias (irmão de Assi) .

Ambos foram responsáveis por escrever diversos êxitos além de popularizarem músicas de 4 ou menos minutos no mundo Árabe, que ainda estava muito acostumado a músicas nos moldes egípcios em torno de 20 minutos de duração. Agora quem assume o lugar de diretor musical da artista foi o seu próprio filho, Ziad Rahbani, que trouxe consigo letras mais ousadas e elementos musicais ocidentais distintos.



Mas comecemos pelo início, Nouhad Wadie' Haddad ou como popularmente conhecida Fairuz, é uma artista que nasceu em 1935 na cidade de Beirute no Líbano e logo cedo o seu talento foi percebido na ainda na escola e o resto é história.

Nos anos 50 começou a sua carreira a solo e nos anos 60 participou de diversos filmes que ajudaram a alavancar ainda mais a sua popularidade.



A guerra civil dos anos 70 restringiu os números de programas de televisão e rádio oficiais e segundo o livro “Music and Media in the Arab World”, o medo de sair à rua tornou esses veículos de media um bens essenciais para o entretenimento, o que alavancou diversos artistas para o nível internacional. Num período onde o Egipto mostrava-se como um centro cultural importante para região e por consequência tinha o dialeto Árabe popular nas artes, Fairuz que já havia destacado-se por utilizar o dialeto libanês nas suas músicas agora servia também como uma plataforma projeção internacional para o seu país de origem no qual é muito amada.



“Maarifti Feek” é um álbum de Jazz e Folk e tal como em outros projetos, Fairuz é bastante romântica e poética, dando um gole direto daquilo que é a poesia árabe. Ela fala dos seus sentimentos de paixão, dor, nostalgia  e retrata o seu país de uma forma quase que visual de tão bem que é descrito.


Na primeira faixa “Khaleek Bilbait” que quer dizer algo em torno de “fique em casa” mas num tom conversacional, na música ela implora para que o seu objeto de afeição permaneça em casa porque ela está apaixonando-se e não quer ficar só, também há um possível duplo significado quando ela diz: 

“الله يْخلّيك “ que pode significar algo como: “Que Deus te proteja” mas um dado engraçado é que durante a pandemia esta música voltou a ficar popular nas redes sociais pelo tema de ficar em casa e essa mesma frase também pode significar algo como “Que Deus te proteja da morte” e ambos significados fazem sentido. Sendo ela uma poetisa rica em duplos significados não me admirava nada que a música também falasse da sua cidade nata.



Já a música “Li Beirut”, uma das mais populares do projeto, ela clama por paz na sua cidade natal de Beirute, traçando lindas porém melancólicas descrições de como ela era antes e durante a guerra.

Nas poucas traduções de suas músicas é possível perceber a poética, embora que não na totalidade, e a escolha de que elementos compõem a imagem que ela quer pintar para cada canção. 



Gostaria de falar um pouco mais, explorar a relevância dela nos dias atuais, os controversos casos de artistas como Madonna, Kanye West e outros utilizarem a sua música, mas deixo essas fofocas para vocês, por agora fica a recomendação do álbum.

Aproveito desde já para destacar as faixas: “Khaleek Bilbait”, “Maarifti Feek”, “Aloula”, “Maarifti Feek” e “Ma Kedert Neseet”




Referencias

Khalik Bel Bait tradução:


Khalik Bel Bait gramática Árabe da música:


Filho dela:


Li Beirut tradução:


Álbum:


Guerra civil (Datas):


Google books:


Other:

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